O furo do Obama

A vinda do Obama ao Brasil estava com pinta de acontecimento do ano. Primeiro pipocaram notícias de que o país estaria prestes a entrar num tal de “Visa Waiver program” em razão da taxa de recusa de vistos de entrada nos EUA estar abaixo de 5%. Tal programa dispensaria a necessidade de pedido de vistos para os EUA. Uma condição que o Brasil Potência certamente requer, ser tratado de igual para igual com EUA, Europa e Japão. No mesmo sentido, se esperava que Obama fosse mais uma vez apoiar a candidatura do Brasil a um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU. Me parece que é mais importante para o Governo declarações que façam jus ao novo patamar a que nos foi alçado na política mundial do que em se preocupar com negociações de fato para chegarmos de vez ao Conselho.

A minha preocupação é: Alguém vê o primeiro-ministro japonês sair pedindo voto? Não. E focar a diplomacia em apenas conseguirmos um assento permanente é lógica idiota. Precisamos tê-la para usar em benefício mundial, e para tê-la é necessário mostrar que temos força no cenário internacional. Até porque o G4 (Japão, Alemanha, Brasil e Índia, principais proponentes de uma vaga permanente), tão alardeado no Brasil, sofre pesadas críticas dentro das Nações Unidas, existindo um grupo formal que se opõe a entrada deles, quase todos rivais locais (Brasil, Argentina e Colômbia nas Américas).    É mais importante o país traçar seu caminho por conta própria. O Brasil ESTÁ no Conselho de Segurança neste momento. Alguém sabe o que fizemos? Na votação de hoje que aprovou a zona de exclusão aérea na Líbia, o Brasil se absteve. Podemos argumentar que a Alemanha também se absteve (como a Índia), mas ela trabalhou forte nos bastidores a favor da resolução, por mais hipócrita que pareça. Lula (e Dilma?) preferem ficar fazendo pose de amiguinhos com líderes duvidosos e sanguinários por aí do que estabelecer uma política séria de relações internacionais. Aprofundar laços com União Europeia, Estados Unidos e aprimorar com Ásia e África é ficar em cima do muro. Brasil não está aí para ser o país mais popular do mundo.

Mas enfim, voltando ao Obama: A sua visita caminha a cada dia para ser mais uma oportunidade perdida. O Brasil aparentemente não tem interesse em comprar os caças americanos. Obama também mandou avisar que não iria ao jantar que Dilma queria oferecer no sábado e seu desejo era embarcar para o Rio logo. Quanto ao discurso, dependendo do contexto, realmente o palco do Theatro Municipal é mais adequado do que um palco na Candelária, mas a idéia dele fazer um discurso ao povo brasileiro, se fosse algo realmente que pudesse de certo modo inspirar (não gosto dessa palavra maas…) à população, já seria de ótimo tamanho. Reclamam que nenhum outra visita mobilizou tanta atenção, a ponto de parar o funcionamento do metrô ou de que isso seria mais uma prova de “subordinação”, mas é importante lembrarmos que nenhum outro chefe de estado ou de governo teve o interesse de se dirigir deste modo ao povo brasileiro. E bom, não podemos negar a importância que os Estados Unidos tem no mundo né.

O que mais me impressiona nesta confusão toda é em como parece que tudo foi muito mal preparado. A diplomacia brasileira, no primeiro teste importante do novo Ministro das Relações Exteriores Antônio Patriota, está levando um baile completo da equipe cerimonial americana. Eles falam o que querem a qualquer momento, sem parecer se preocupar em algum mal estar porque talvez eles simplesmente não ligam para isso. E mais grave ainda, tudo sendo decidido em cima da hora de uma maneira impressionante. Por que não sugerir um discurso ao Congresso? Ou num auditório de universidade? Ficou tudo meio largado, dando uma impressão meio ruim à diplomacia que tenta se reerguer depois de uma época meio nebulosa sob o comando do Celso Amorim.

 

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Cinema #1 – Bruna Surfistinha

“Bruna Surfistinha” (BRA, 2011) de Marcus Baldini

2/10

 

O cinema brasileiro parece que chegou a um dilema tão dilacerante que nos faz temer pelo futuro: Ou realiza filmes para a grande massa ou tenta criar uma espécie de cinema de autor. No segundo caso ainda está engatinhando muito lentamente – Qual grande cineasta brasileiro surgido na década? Fernando Meirelles que na primeira chance saiu do país, José Eduardo Belmonte e principalmente Karim Ainouz me parecem os únicos nomes, além desta geração “novíssima” que ainda luta para entrar no circuito apesar de já serem veteranos em longas – mas o tal cinema indústria está bombando, mas para isso parece ser necessário se adaptar a um estilo tão engessado de narrativa global que fico realmente na dúvida se devemos comemorar ou nos desesperar por estes filmes atingirem milhões de espectadores.

O que vemos em “Bruna Surfistinha” é um clássico cinema de ação pura. Nunca temos um momento de fôlego para entender quem é aquela personagem, como nasce a sexualidade dela, porque ela decide virar prostituta, porque ela decide abandonar a família, porque ela começa a escrever um diário, em como ela se sente na escola, na primeira casa de prostituição, no auge da fama, na decadência… Tudo vai acontecendo embalado por uma trilha “cool”, uma atriz meio histérica e cenas vazias de “sexo”.

Como Inácio Araújo apontou em seu texto, é engraçado que um filme sobre uma prostituta (ou seria garota de programa?) nunca em nenhum momento fala realmente sobre sexo. Mostra que Bruna Surfistinha faz sexo, faz muito sexo, é viciada em sexo, mas num jeito tão irônico, que é difícil acreditar em qualquer ação dela. A montagem rápida mostra os vários tipos estranhos que Bruna atende, enquanto a narração tenta reproduzir algumas passagens do diálogo. Mas nunca vemos ela fazendo sexo. A primeira vez com o cliente foi a perda da virgindade? Ela fazia muito sexo antes ou só chupou um colega uma vez (aparentemente ela passa a ser motivo de chacota por ter sido descoberta por um colega e este tenta se aproveitar)? Ela gosta de sexo? Por que mostrar uma apresentação sensual nos créditos se nenhum aspecto dessa sua “iniciação” é tratado?

Tudo fica perdido, num amontoado de sequências do tipo coletânea de passagens importantes do livro. Existe uma transformação de garota inocente e desajeitada para a garota de programa workaholic ou ela sempre foi viciada em sexo? No fim, tudo aquilo só serviu para uma lição moral meio fajuta de autodescobrimento?

O filme nunca consegue sair de um escape pobre visual para o livro, pulando de uma sequência “chocante” para outra. “Chocante” porque tudo é feito de uma maneira super higienizada com uma direção de arte plástica demais – não deixa de ser irônico que a música nos créditos finais seja “Fake Plastic Trees”.

O que parece ser mais um filme bobo se transforma aos poucos num espetáculo completamente vazio. A parte da “infância” da personagem é uma idiotice completa e a cena de Deborah Secco na escola me lembrou a Escolinha do Professor Raimundo de tão absurdo ser ela no meio de todos os jovens. Enquanto Bruna convive com as outras prostitutas tem-se a falsa impressão que o filme vai crescer, apesar de sequências desnecessárias e prolixas.  São pequenos momentos do dia-a-dia que antecedem as “cenas principais” de Bruna com seus clientes em que o filme deveria acontecer. Me parece que estas, que chegam a lembrar de longe “O Céu de Suely” são as únicas que inseridas de alguma maneira por Karim Ainouz – que há um tempo era creditado pelo argumento mas isso aparentemente não é confirmado. Não deixa de ser estranho que a única (parte de) cena que aparenta respirar e alçar um vôo maior é quando as meninas saem a noite. Ali o filme se livra momentaneamente de suas amarras e parece finalmente entender suas personagens. Mas não, era só virada de roteiro.

 

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Vídeo do dia

Na verdade, é em três partes, mas vale muito a pena. Allen Ginsberg lendo “Howl”. Uma coisa do outro mundo.

Parte 1:

Parte 2:

Parte 3:

 

Segue o texto:

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Halloween

Eae galera, acabei de chegar em Bucareste, rumando pra Transilvania comemorar o Halloween hoje, yuhull!!!!

brinks!!!!
Cheguei em Berlim agora. Ontem passei um dia inteiro no aeroporto de Milão e a noite num hotel de Zurique bebendo com um japonês que mora em Londres, uma britânica e um russo. O dia mais bizarro da minha viagem. Pensei que justamente por ter o dia “livre” conseguiria escrever finalmente sobre Madrid, Paris, Milão, mas não consegui me concentrar nem um pouco no computador. Só tive forças pra comer e dormir um pouco, quebrando minha resistência de dormir em aeroportos, até perceber que não é perigoso, como imaginava, se você dormir segurando suas bolsas.
Mas enfim, a parte de “fui no Scala”, “comi na Plaza Mayor”, “andei por Paris”, o que um diário deveria ser me parece irrelevante agora de contar. Talvez depois, no Brasil, ainda com a cabeça fresca e munido das anotações que vou fazendo, possa me debruçar um pouco mais sobre as minhas aventuras. Mas agora me parece mais saudável e mais natural simplesmente falar um pouco do que provavelmente eu não vou lembrar depois.
Pois bem, falta uma semana pra eu voltar pro Brasil e a saudade (da Europa) já tá batendo. Queria tentar ainda ir pra Eslovênia, mas acho que vai ser impossível, melhor aproveitar um pouco mais de Berlim e Veneza. Engraçado que três pessoas me perguntaram em um curto espaço de tempo “Você é do Rio de Janeiro, o que tá fazendo na Europa?”. Me pareceu estranhissima essa pergunta, talvez partindo do ditado que diz que o jardim do vizinho é sempre mais verde. E talvez os europeus não liguem realmente pro resto da europa.
Mas enfim, a canseira que me impediu de curtir Milão já passou acho. Tou animado de explorar bastante Berlim, andar até dizer chega. Aí só restará três dias e Veneza também deve ser um prato cheio. 8 países, tá de bom tamanho. Hoje faz 31 dias que eu estou aqui e nossa, parece um ano.
Confesso que meus planos futuros para a Europa ainda estão nublados. Até uns dias atrás eu tinha convicção de que realmente queria vir fazer intercâmbio ano que vem em Paris, pra praticar/melhorar o francês, conhecer melhor o continente e também aproveitar para pesquisar mais de perto sobre futuras possibilidades de mestrado/doutourado, mas as vezes penso em me formar logo e ir pensando disso do Brasil. Mas penso nisso depois! Vou parar de divagar e conhecer a cidade, bom Dia das Bruxas para todos!
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Amsterdã

Fiz um texto de 5 páginas no Word. Ia dividir, mas acho melhor jogar logo aqui, com subdivisões, pra quem quiser ir pra alguma parte específica!

CHEGADA

A minha ida a Amsterdã foi disparada a mais tumultuada, em todos os sentidos. Começou já com a tragédia de não ter conseguido chegar com antecedência ao aeroporto de Roma no sábado, dia 16, o que me fez enfrentar a fila enorme da EasyJet meio a toa. Acabei esbarrando com um outro brasileiro que também tinha perdido o avião e tava puto porque foi a segunda vez dele – na outra indo para Barcelona. Acabou sendo meio divertido, mesmo após eu ter percebido pelo passaporte que ele era brasileiro e começar a falar em português, o cara só falava em inglês de tão nervoso que estava.

O próximo vôo era só no próximo dia e tinha que pagar multa de 70 euros. Põe mais na conta 30-35 do albergue, possíveis 30 euros de 2 passagens do aeroporto pra estação de trem (porque eles não fiscalizam, se eu pegasse acho que nem pagaria…), e principalmente ter que ficar carregando duas malas pelo aeroporto todo, pegar trem, pela estação (ambos são enormes), e já tinha ficado 5 dias inteiros em Roma, precisava partir pra próxima, além de que Amsterdã era o lugar que eu mais queria conhecer. Rodamos o aeroporto todo e só achamos passagem na KLM por volta de 290 euros. Acabei pegando, e lá se foi todo meu planejamento financeiro da viagem.

Não me arrependi. Logo ao chegar na cidade vi que Amsterdã é a coisa mais linda do mundo. Umas cores inacreditáveis, as ruas pequenas, cheias de ciclistas, e pessoas andando, uma atmosfera incrível, parece aquelas fases de cassino de um videogame, sabe, com as luzes pipocando na sua frente. Depois de deixar as coisas no albergue, fui dar umas voltas pelo Red Light District (aonde eu fiquei) e não se preocupem porque não é nada perigoso. As ruas lotadas, e dizem ter policiais à paisana por toda parte. E todos aqueles canais cruzando as ruas, cheios de patos e barquinhos, as casas mínimas e inclinadas, as luzes nas janelas e nas ruas, um frio do cão (5 graus), foi a melhor sensação que eu já tive na viagem, uma das melhores na vida.

A CIDADE E CONHECENDO O FRIO

Em Roma eu tirei foto pra tudo quanto é lado, de paisagens bonitas à monumentos turísticos, passando pelo dia-a-dia dos romanos e dos turistas (a maioria), mas não sei explicar direito, em Amsterdã eu não conseguia, ao menos no primeiro dia, tirar a câmera do bolso. Parecia que em primeiro lugar, eu não seria capaz de com uma foto transmitir toda aquela sensação que percorria a cidade, seria apenas um fragmento, uma tentativa de aprisionamento de algo muito maior. E também porque parecia que seria um crime se eu fizesse, no estilo de quem quiser experimentar a cidade, tem que vir a cidade, e eu estaria sendo um turista ridículo ao tentar registrar tudo. OK, eu sei que isso acontece em todo lugar, mas ali em Amsterdã, e em especial no Red Light District, a sensação era maior.

Depois de sair de um clima gostoso na Itália, por volta de 15 graus, fui pego no gelo que é 5. Sério, não agüentava direito, a cada cinco minutos eu tinha que entrar numa sex shop, num bar, numa livraria, num fast food ou num cinema pornô (só na recepção, hehe) para passar um minuto me aquecendo, tentar me achar nas pontes e canais da cidade e voltar para a rua. Acho que antes do que ir a algum museu (o que era meu plano), esse é o grande programa de quem chega em Amsterdã, passear a toa, dar uma volta, sentir o clima, olhar as árvores, luzes, janelas com prostitutas, sex shops, coffee shops, etc.

MUSEUS

Dentre os museus acabei indo no primeiro dia no Erotica Museum e no SexMuseum, únicos que ficam abertos até tarde da noite fora do verão e entre sábado e quinta. O Erotica é meio falcatura mas tem uma lojinha bacana, que tem desde artigos de sexo a camisas baratas. Já o Sex é muito bacana, fazendo um panorama de como o sexo (e a nudez) permeia a sociedade desde a pré-história. Esse sim, vale a pena visitar. No domingo eu fui no Rijksmuseum, que é o maior da cidade e no Van Gogh, mas eu tava morrendo de sono então não consegui aproveitar ao máximo. Gostei principalmente do Van Gogh, apesar de não possuir alguma de suas principais obras (Noite Estrelada, que está no MoMA), e tinha “O Quarto de Van Gogh”, genial. tem uma visão cronológica da obra do principal pintor holandês e de suas influências e conterrâneos. Vale a visita. Já o Rijksmuseum tem algumas das principais obras de Rembrandt e outros artistas holandeses e belgas.

O melhor passeio cultural, porém é na Anne Frank Museum. A princípio eu estava um pouco relutante porque além das longas filas, achava que seria aquela coisa meio chata “Sabe aquela menina famosa vítima do holocausto? Então, ela se escondeu aqui”. Mas não, o Otto Frank, pai da Annee quem idealizou o museu não quis idolatrar a filha ou simplesmente fazer uma atração turística. A partir dali, difundir o que foi realmente a perseguição nazista em um nível mais pessoal e acessível e mostrar como esse tipo de violência ainda persiste até hoje, em todos os cantos do mundo, inclusive com os tais dos negativistas (é essa a expressão mesmo?) que teimam em negar o Holocausto e encontraram um porta-bandeira em Teerã.

O museu é mesmo bastante emocionante, cheguei a chorar, e é bizarro pensar em como as oito pessoas conseguiram viver ali por tantos anos. E foi lá, aliás, que eu vi meu primeiro Oscar, da atriz Shelley Winters por seu papel coadjuvante na versão cinematográfica de “O Diário de Anne Frank”, o qual ela tinha prometido ao Otto doar ao Museu se ganhasse, isso durante as filmagens ainda. Deu vontade de (re)ler o livro aliás, já que não cheguei a ler ele todo. E saber se o projeto do governo holandês em exílio de publicar todos os diários e documentos pessoais produzidos durante a guerra foi a frente.

 

SEXO, DROGAS E JAZZ

Bom, chega da parte chata de Amsterdã. Cadê as drogas, o sexo, o rock’n’roll? Bom, rock quase não tem, ou não vi. Eu estava doido pra ir num clube de jazz que diziam ser muito bom, mas no domingo a noite estava morto de cansado e na segunda a noite fiquei até tarde pela rua e ainda fiquei arrumando as malas de madrugada. Mas se eu voltar mesmo pra Europa ano que vem – Pordenone e/ou França – definitivamente vou querer passar uma semana em Amsterdã, melhor cidade do mundo. A única coisa ruim é o frio, agora dá pra entender daonde os escandinavos (ou os personagens de “Os Famosos e os Duendes da Morte”) tiram motivos pra se matar. Mas a gente se acostuma, na segunda a noite tava 7 graus e eu só de casaco, tranquilaço.

Sobre as drogas, é maconha por tudo quanto é canto, e eu fiquei num albergue chamado Flying Pig Downtown, que parece ser reduto de maconheiros. Quando eu usava a internet eu ia pro smoking room e tava lá todo mundo fumando, mas estranhamente não ficava um cheiro muito forte no ar, só aquela fumaçinha básica e meio tranquila. A parte mais chata aliás, da viagem teve a ver com as drogas, no último dia (segunda) chegando do albergue a noite, enquanto eu procurava o cartão de entrada que eu tinha perdido, veio um cara na porta tentando me vender algo em holandês, eu acho, ficou meio cara-a-cara. Mas ai eu disse “no” e ele saiu. Depois quando eu sai de novo, chegou um mané, e ficou do meu lado dizeno que queria falar comigo e tal, e eu dizendo que não queria. Ai eu entrei no Febo, que é o Bobs holandês, pra despistar e ele “quando você sair a gente conversa”. Mas eu sai, ele tava olhando pro outro lado, então não tive mais problemas. Mas é só isso, ninguém vai apontar uma arma pra sua cabeça, eu acho, só uns vendedores chatos tentando te encher. Acho que enquanto tiverem sozinhos, é tranqüilo, se tiverem em grupo, aí pode ser tenso. Aliás, no meu primeiro dia também veio um sul-africano estranho, tentando me ajudar, mas no final queria era alugar sua bicicleta pra mim. Quando eu disse que não queria, disse algo do tipo “vá se fuder, se perde por aí então”. qqqqq

 

SOCIAL

Mas então, como eu realmente não curto muito maconha acabei nem fumando, aliás, só uns traguinhos quando fui lá socializar com o norueguês que estava no meu quarto. Nem sei dizer se é boa ou não, ou o quanto é melhor que a brasileira. Falando nisso, foi estranho o quanto eu consegui socializar. Acho que porque a galera era mais largada lá e não aquele povo festeiro de Roma. Tipo, eu conseguia usar a internet tranquilamente no smoking room enquanto no bar de Roma era uma gritaria ensurdecedora. O máximo de “problema” que eu tive em Amsterdã era uma galera tentando puxar conversa, e eu tava meio no clima pra isso. Acabei ficando amigo de uma indiana (realmente elas balançam a cabeça enquanto conversam, descoberta do ano!), de um americano, que tem a família louquíssima, meio parecida com a minha, de um casal de colombianos (tentava falar em portuñol, mas eles insistiam no inglês, o que tem com esses sul-americanos??), de um australiano que ia correr a maratona de Amsterdã domingo de manhã (e coitado dele, cheguei no quarto umas 5h da manhã de sábado pra domingo e ainda fiquei fazendo barulho pra arrumar as coisas), e ainda pegando o tal do noruguês, que era hétero (OI?). Talvez seja a última chance porque em Paris fico na casa do Zaga e em Milão e em Veneza vou ter um quarto individual. Em Madrid mesmo ficando em albergue devo sair mais com a Natália, Rodrigo, Marília e Paulinha (uma amiga minha que tá lá também), talvez só em Berlim ainda fique em albergue, mas espero que não porque já passei há muito tempo do vermelho aqui.

Mas não vou negar que eu perdi um pouco a linha aqui em Amsterdã também. Mas a cidade é tão louca que sei lá te puxa pra suas profundezas. Acabei comprando 4 canecas, porque cada uma era mais linda que a outra. Resolvi que uma vou deixar em Campos, 2 vou usar no Rio (1 é de vidro, pra ocasiões especiais), e talvez eu dê a outra como presente. Comprei umas duas camisas também, mas a mais linda do mundo tava numa loja que já tinha fechado e eu só vi no último dia, vou ter que voltar. Mas engraçado que acabei gastando bem menos do que em Roma, já que comi muito pouco, mas nas duas vezes em que eu jantei e comi carne mesmo, nossa, foram as comidas mais fartas da minha vida, tipo 2 pratos do Outback. Ah e eu acabei comprando 4 pôsteres no FilmMuseum, mas eram baratos, saiu tudo por 14 euros, sendo que 2 são dos grandões. Comparados com o preço em Paris, vale muito a pena, apesar deu ainda estar muito tentado a comprar um de 40 euros gigante de “Querelle” feito pelo Andy Wahrol. Mas o Rodrigo disse que em Madrid tem uma feira que vende pôsteres baratinhos, vou ver lá primeiro. Não sei aonde v ou enfiar tanto pôster, mas tudo bem. Além de que minha mochila já quebrou então tou tendo que usar a bolsa como mala de mão, tá ficando complicado de carregar tanta coisa. Pelo menos descobri o maravilhoso mundo das luvas, que além de prevenir que suas mãos congelem, ainda protegem bastante na hora de carregar tanta mala pesada. Você ainda sente frio e a mão ainda dói, mas pelo menos ela não congela ou se desfaz toda.

 

DIVAGAÇÕES

Acabei fazendo umas maluquices também, fui na primeira noite sozinho a um bar e boate perto, foram legais, música ótima, mas é aquela coisa meio chata de ir sozinho, além de serem muitos pequenos os clubes. Fiquei pensando se todos clubes lá são assim. Na segunda a noite também resolvi ousar e fui num cinema pornô, pra conhecer. Eu fui num que não era um telão (eles ainda são assim?), mas várias cabines com filmes diferentes, e ou com um cara vendo da porta ou se masturbando lá dentro. E tinha uns buraquinhos do lado em que dava pra espiar. Bizarro, mas como tinha pouca gente, nem rolava pegação geral como eu imaginava, ainda bem! É meio tenso, mas foi mais tranquilo do que eu imaginei que seria. Tipo de coisas que você faz na Holanda, mas não no Rio! Fiquei conversando depois com o atendente que me deixou entrar de graça e ele perguntou se não tínhamos isso no Brasil hehehe Aliás, várias pessoas quando eu chego e digo que sou brasileiro começam a entoar os primeiros versos de “Aquarela do Brasil”, engraçado isso.

Escrevo esse texto no trem de Amsterdã pra Bruxelas, ao som de “Younger Than Yesterday”, do The Byrds. Acabei resolvendo dormir melhor hoje de manhã, e fazer um tour de barco pelos canais de Amsterdã, que seria de graça pois eu comprei o I Am Sterdam (depois falo melhor dele e de outras dicas da viagem, o que vale a pena, o que é furada, etc). Como o Rodrigo disse, o nome desses programas turísticos são sempre geniais! Eu tava com tanto sono que a senhora alemã na minha frente me perguntou se eu tava doente ou só cansado. E não consigo dormir em trem, ainda mais com computador fora da mala fechada, fico tenso de me roubarem, até porque o grande perigo aqui na Europa é mesmo o pickpocketing.Passamos por Haia, agora estamos saindo de Rotterdam em direção a Antuérpia, sede das Olimpíadas de 1920. Já tá dando saudade de Amsterdã. Tá uma chuva meio forte aqui e fico me lembrando, ao passar pelas florestas negras, de um amigo meu do pré-vestibular que fez intercâmbio na Bélgica no ensino médio e a educação física dele era correr na estrada até a fronteira com a Holanda e voltar, uns 40 minutos. Um pouco da sorte que ele deve ter tido de ter contato com esse mundo tão cedo, ou as vezes o contrário também, de tudo ter seu tempo. Vejo as casinhas modernas e meio afastadas uma das outras pela janela, e me lembro dos filmes do Ozu, com aquelas comunidades todas orgânicas localizadas no subúrbio de Tóquio, ou “Meu Tio”, com aquela arquitetura fenomenal. E vai batendo sono, cada vez mais vontade de dormir. Tou vendo que vou ter que sacrificar uma noite em Paris ou Madrir para por o ono em dia.

 

RUMOS

Engraçado que apesar deu ter tido os melhores momentos da viagem em Amsterdã, tive algum dos piores também. Já disse lá em cima que entendo agora essa sensação que o frio dá, não de querer se matar exatamente, mas um pouco de querer sair disso tudo e ele faz você entrar cada vez mais dentro de você, o que é complicado. Não dá vontade nenhuma de sair, só de voltar pra casa, ou ficar quieto apesar de ter a cidade mais empolgante do mundo do outro lado da parede. No sábado so fui dormir as 4h30/5h, então, no dia seguinte eu acordei as 9h e tava um caco, fiquei o dia todo assim. Ontem também, publicando os textos no meu blogue, conversando, fui dormir umas 3 da manhã, resultado também fiquei um caco hoje. Preciso achar algum tempo para dormir, mas vai ser difícil!.

Mas então, hoje já tenho certeza que um mês é muito tempo para viajar. Estou na prática a 10 dias (outros 10 de Pordenone), e ainda outros faltam 20, ou seja metade de um pouco de vista geral, um terço no turístico. Ao menos vou passar 7 dias com uns amigos, e depois de encarar as óperas de Milão, uma temporada em Berlim em que espero sair com uns brasileiros. Cada experiência nova, cada momento de solidão, cada cansaço que bate, cada vitória, cada coisa nova genial que acabo de ver (a mais recente foi uma linha de moinhos de vento aqui na viagem), bate uma vontade de ir pra casa. Não necessariamente Brasil, Rio de Janeiro ou mesmo Campos. Algum lugar em que eu possa chamar de meu e descansar e espichar as pernas. Pode ser Amsterdã mesmo, ou Paris. Só pra parar de carregar uma mala tão pesada –e não, não vou deixar de ficar carregando quinquilharia de tudo quanto é canto legal, não consigo!

 

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#7 Un giorno a Firenze

Firenze foi uma experiência completamente diferente de Roma. Me senti um pouco que nem em Pordenone, com toda aquela gente italiana mesmo. Os turistas, existiam, claro, mas como aquela gente doida da Giornate que inundava as ruas, mas não eliminava os vestígios dos moradores da região. Eu tinha pensado em ficar 2 dias na cidade no início de novembro, mas quando percebi que tinha pego muitos dias em Roma e consegui fazer quase tudo que queria na terça-feira, decidi fazer um bate-volta na quinta.

 

Para quem não sabe, Florença é a capital do renascimento e mesmo sendo pequena (tem cerca de 400 mil habitantes) possui a maior coleção de arte do mundo. Se não me engano, a Toscana tem mais prédios e construções histórica e artisticamente importantes do que qualquer país do mundo. É impossível ficar só um dia, mas isso ajuda a fazer tudo de uma vez, ter uma overdose de arte.

 

Quando o escritor Stendhal visitou Veneza ele passou mal durante uma visita a Catedral de Santa Croce, após ver tantas obras de arte. “Por que tanta beleza, meu Deus, em um só lugar?”. Eu pergunto o mesmo. A cidade é muito uniforme, e uma visita do topo do Duomo, após subir quase 500 degraus confirma. Tou cheio de fotos, depois posto, prometo! Me lembrou um pouco a vista aérea de Paris, aquela continuidade de telhados beges, todos com 3 ou 4 andares de altura no máximo. Dá vontade de se jogar ali diante das casinhas. OK, não dá literalmente, mas quase.

 

Fui meio besta de ter ignorado as filas. O primeiro lugar que abre, as 8h15 é a Galleria dell’Academia, aonde Michelangelo fazia seus trabalhos e está instalado o seu David. Cheguei umas 7h, mas tive que resolver uns problemas do Eurail (depois faço um post sobre ele, pra explicar, vale muito a pena, já digo, se você usar bem). Sai umas 7h30, e fui pro Mercado Central, ali do lado, comprar uns queijos pra comer no café da manhã. O provolone daqui é muito decepcionante, como foi o de Pordenone (o melhor do mundo continua sendo o da Beira-Mar em Niterói), mas experimentei o Gorgonzola Picante, uma coisa do outro mundo.

 

Cheguei na Academia só umas 9h, fila enorme, programação em perigo, medo. E pelo guia, vi que na Galleria degli Uffizzi, a maior concentração de arte renascentista do mundo acho, tinha filas de 2 a 3 horas. Consegui depois comprar um ingresso antecipado, mais caro, mas que com certeza me salvou. Enfim, entrei, passeei, vi muita coisa foda e DE REPENTE QUE PORRA É ESSA??

 

Caralho, sério, o David do Michelangelo é a coisa mais linda do mundo. Enorme, monumental, enigmático, pensativo, provocador, sempre seguindo em frente. É uma coisa do outro mundo, dá vontade de sentar e ficar olhando o dia todo. Se um dia eu morar em Florença ou poder ir pra lá mais a toa, certamente vou fazer isso. Mas o tempo urgia e eu precisava ir.

 

Fui andando por museus, praças, pelas ruas. Borghese é lindo, tem o David de Donatello, também muito interessante. Queria ter ido no Palazzo Pitti, mas não consegui E toda a cidade, nossa, algo do outro mundo. Ai chega o Rio Arno, acho que é o mais lindo do mundo, pra que Sena, Noncello (Pordenone), Tiber, Paraíba do Sul? É de uma cor indescritível, sempre com alguém praticando canoagem, ou andando em sua volta. E ainda tem a Ponte Vecchio, toda linda, mais linda ainda iluminada, no início da noite.

 

É uma cidade apaixonante, fato. Pequena, mas com clima de cidade universitária, inclusive, talvez não como Bologna, mas cheio de estudantes de artes pelas ruas e pelos museus, inclusive uns fazendo uns desenhos de esculturas no Borghese. É mais suja, um pouco mais perigosa que Roma, mas mais emocionante. Só dá pra passar férias ou um período curto-médio, porém. Viver lá acho meio tenso. Aliás, viver na Itália é tenso por conta de só passarem filmes dublados no cinema, como viveria assim? Queria ver “Somewhere” e principalmente “Zio Boonmee chi se ricorda Le vite precedenti”, mas tudo dublado não dá, principalmente o Giu(seppe).

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#6 #EasyjetFAIL ou como passar a vida pensando positivo

(originalmente publicado em 15/10/2010)

 

Dizem que Deus escreve certo por linhas tortas. Eu tendo a acreditar ao menos um pouco nessa expressão, ou ver sempre as coisas boas nas merdas, mesmo que perceba claramente que existe uma grande parcela de negação das derrotas nesse modo de vida.

É um pouco isso que me faz menos triste de ter perdido o meu vôo hoje mais cedo, 10% por conta de uma fila gigantesca da Easy Jet e outros por conta de atraso meu. Confiei que chegaria mais cedo, mas a mala pesada, mais a demora pra entrar no trem da Termini, mais o Leonardo da Vinci meio grande, enfim, devia ter previsto. Quando perceber o quanto de dinheiro me falta me mato. Mas tudo bem, até lá. penso pelo lado positivo:

- Ganhei milhas da AirFrance
- O Serviço de bordo da KLM é genial, um sanduiche excelente e 2 Cocas.
- Tinha um comissário de bordo bonitão falando comigo em holandês toda hora, tipo -Q??
- Me diverti rodando o aeroporto com um brasileiro que também perdeu o vôo e ficou tão transtornado que mesmo eu falando que era brasileiro e as vezes perguntando as coisas em português ele só falava inglês.
- Cheguei em Amsterdã, o que é importante.
- Não posso mais comprar presente pra ninguém, não preciso me preocupar com isso.
- Assim como incluir um bate-volta pra Copenhague de Berlim, o que tava planejando.

Agora vou sair pra badalar!! #vangoghmuseumrulez

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